Ando ausente do mundo virtual. Tenho um blog que ninguém lê, uma página de recados do Orkut com cada vez menos recados e pouca paciência para o MSN. Porém um mensagem recebida há pouco me surpreendeu, assustou e me deixou feliz por não ter detonado meu computador: Tiago propôs um retorno da mítica banda The Bentos.
Meu coração acelera cada vez que digo esse nome, cada vez que lembro dos dias de selvageria e loucura que vivi. Tenho medo de não ser mais o mesmo, pois sinto meus dedos cada vez mais enferrujados e minha cabeça dedicada a cuidar de alguém. Sei que ser um Bento significa que não posso cuidar nem de mim.
E eu sou apenas 1/4 do problema. Terá Patrick dissipado todas as suas energias com as 24 bandas que ele tocou desde então? E Rafael, ainda passaria noites e noites descobrindo novas influências, agora que deixou de ser vagabundo? E o Tiago... pobre Tiago. Nosso encontro ainda seria aquela suruba pentatônica de outrora, ejaculando riffs e batidas, peso e poesia?
Quem sabe? Bem, minha filosofia sempre foi a de me expor e viver, ao invés de evitar a dor e sobreviver. 1/4 resolvido, faltam 3/4. Eu aceito.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
sábado, 15 de setembro de 2007
Para quando você se sentir só
Peça ao céu um pouco de silêncio e procure conversar com a noite. Faça de cada ilusão uma saudade e repita mil vezes para si que tudo passou.
Lá fora o ar pode estar pesado. Se o desejo é seguir, respirar e amar, livre-se de preconceitos e saia por aí, vá passear...
Essa amargura, faça dela uma sombra fútil, tanto que não vale a pena pensar. Não sinta receio do nada. A vida é assim, tudo acaba...mas existe o consolo da saída, do meio e da chegada.
Há sempre um amanhã para hoje, que não é feito de aventuras. Olhe-se no espelho e gaste tudo do jeito que você tem para dar. Aquilo que você ouviu, aquilo que amou e aquilo que nem ligou, firme-se que encontrará sempre desejos mais fortes.
Hoje você está só...mas um dia, em algum lugar, existiu outro alguém que o apoiou, que fez de você alguém melhor sem lhe pedir nada. Lembre-se, você até chorou. Sabe? Este alguém lhe amou...viu? Já está tudo bem.
* Há muitos anos atrás eu estava na rua, sentado e pensando, quando um papel com estas palavras voou até perto do meu pé. Eu peguei, li, copiei e o fiz voar novamente. Será que ele chegou a mais alguém? Duvido.
Lá fora o ar pode estar pesado. Se o desejo é seguir, respirar e amar, livre-se de preconceitos e saia por aí, vá passear...
Essa amargura, faça dela uma sombra fútil, tanto que não vale a pena pensar. Não sinta receio do nada. A vida é assim, tudo acaba...mas existe o consolo da saída, do meio e da chegada.
Há sempre um amanhã para hoje, que não é feito de aventuras. Olhe-se no espelho e gaste tudo do jeito que você tem para dar. Aquilo que você ouviu, aquilo que amou e aquilo que nem ligou, firme-se que encontrará sempre desejos mais fortes.
Hoje você está só...mas um dia, em algum lugar, existiu outro alguém que o apoiou, que fez de você alguém melhor sem lhe pedir nada. Lembre-se, você até chorou. Sabe? Este alguém lhe amou...viu? Já está tudo bem.
* Há muitos anos atrás eu estava na rua, sentado e pensando, quando um papel com estas palavras voou até perto do meu pé. Eu peguei, li, copiei e o fiz voar novamente. Será que ele chegou a mais alguém? Duvido.
Algo no caminho
Viro uma folha
e noto a sua ausência
o silêncio e as curvas
incomodam meus olhos
Ando pelas ruas
e pulo a janela
ouço o escuro
e vejo a solidão agora
Algo no caminho me lembra a vida
que eu sempre quis viver
Eu sempre quis viver
e noto a sua ausência
o silêncio e as curvas
incomodam meus olhos
Ando pelas ruas
e pulo a janela
ouço o escuro
e vejo a solidão agora
Algo no caminho me lembra a vida
que eu sempre quis viver
Eu sempre quis viver
Guerra na Bósnia
No céu
as luzes explodem
e destroem meu quarto
eu não durmo mais
Flores
hoje estão mortas
como os sentimentos
que não sinto mais
Eu não quero
sangue em minhas mãos
Muros
vidas em ruínas
a mesma beleza
nunca existirá
Armas
tanques e meninos
que eu não conheço
querem me matar
Eu não quero
sangue em minhas mãos
as luzes explodem
e destroem meu quarto
eu não durmo mais
Flores
hoje estão mortas
como os sentimentos
que não sinto mais
Eu não quero
sangue em minhas mãos
Muros
vidas em ruínas
a mesma beleza
nunca existirá
Armas
tanques e meninos
que eu não conheço
querem me matar
Eu não quero
sangue em minhas mãos
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Soneto
Pode se abrir para mim
eu ainda sou o mesmo
que você nunca quis
e amou ter encontrado
Vamos, pode se abrir
mostre tudo o que quer mostrar
quero te ver gemer e sorrir,
suar e gritar
Ao se abrir
eu vou estar pronto
eu vou te ouvir
Se abra para mim
para que a cada dia
eu viva em ti
eu ainda sou o mesmo
que você nunca quis
e amou ter encontrado
Vamos, pode se abrir
mostre tudo o que quer mostrar
quero te ver gemer e sorrir,
suar e gritar
Ao se abrir
eu vou estar pronto
eu vou te ouvir
Se abra para mim
para que a cada dia
eu viva em ti
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Você não pode decidir por mim ou simplesmente Desabafo
Ei
Eu não sou tão bom
prá corresponder
ao que você espera de mim
Ei
não levante a mão
minha face dói
e já estou tão perto do fim
No momento já não lembro
No momento já não lembro
No momento já não lembro
No momento já não lembro
Ei
presto atenção
mas sem entender
meio sem forças prá distinguir
Ei
a obrigação
de te obedecer
sem sentido não quero seguir
No momento já não lembro
Não importa quanto tento
No momento já não lembro
Não importa quanto tento
Hoje preciso desabafar
e te falar
que não nasci
prá ser você
Desabafar e te falar
que não nasci
e não devo ser
o que você quer
Eu não sou tão bom
prá corresponder
ao que você espera de mim
Ei
não levante a mão
minha face dói
e já estou tão perto do fim
No momento já não lembro
No momento já não lembro
No momento já não lembro
No momento já não lembro
Ei
presto atenção
mas sem entender
meio sem forças prá distinguir
Ei
a obrigação
de te obedecer
sem sentido não quero seguir
No momento já não lembro
Não importa quanto tento
No momento já não lembro
Não importa quanto tento
Hoje preciso desabafar
e te falar
que não nasci
prá ser você
Desabafar e te falar
que não nasci
e não devo ser
o que você quer
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Livro Aberto - capítulo I - parte 1
Devo ter merda na cabeça. Pleno sábado, meu primeiro dia de férias e eu aqui, enfrentando esse calçadão cheio de lojas e gente, enquanto a patroa fica no salão. Olha que essas férias são as primeiras de nossa vida de casado, imagina no ano que vêm.
- Senhor, empréstimo consignado?
- Não!
- Senhor, gostaria de um cartão de nossa loja?
- Não!
- Gatinho, aproveita que tá tudo com 50%!
- Não! - até parece que ela ia me chamar de gatinho se me encontrasse em uma festa.
- Ô meu irmão, tu tá cheio de marra!
Eu tava meio puto e ia virar xingando esses malas, mas Papai do Céu me calou e virei para olhar quem estava me aporrinhando. Eram dois caras da financeira, a menina da loja (a que me chamou de gatinho, que coisinha linda!), um cara vestido de palhaço, dois na perna de pau, três anões, um Mickey, um Pato Donald e três velhinhas.
- Coé Play, tu tá achando que nós tá de sacanagem? - disse o Mickey.
- Só tamo trabalhando e tu fica tirando a gente? - o anão tinha um sotaque meio estranho.
- Aceite Jesus! - disseram as velhinhas.
- Olha só, vocês são chatos demais! Vão encher o saco de outro, tanta gente nessa merda desse calçadão e vêm todos em cima de mim! O tempo que vocês estão tirando satisfação comigo, poderiam estar interpelando um monte de gente! Não fode, porra! - esse não é o meu normal, não sou de dar papo. Hoje desabafei.
- Cumpadi, é hoje que tu roda!
Quando vi aquele monte de gente correndo para me pegar de porrada, decidi nunca mais desabafar. Os anões corriam muito, e os da perna-de-pau ficavam como em uma torre de vigilância, dando as coordenadas. As velhinhas ficavam entoando cânticos exorcistas e eu corria como um filho-da-puta. Estava difícil correr naquele calçadão cheio. Felizmente consegui me esconder num beco, atrás de umas latas de lixo, junto de uns mendigos.
- O pessoal faz de tudo para vender nessa época do ano. - disse um dos mendigos me passando um baseado
- Nem me fale. - respondi com um sorriso nervoso, de canto de boca, recusando o bagulho.
- Senhor, empréstimo consignado?
- Não!
- Senhor, gostaria de um cartão de nossa loja?
- Não!
- Gatinho, aproveita que tá tudo com 50%!
- Não! - até parece que ela ia me chamar de gatinho se me encontrasse em uma festa.
- Ô meu irmão, tu tá cheio de marra!
Eu tava meio puto e ia virar xingando esses malas, mas Papai do Céu me calou e virei para olhar quem estava me aporrinhando. Eram dois caras da financeira, a menina da loja (a que me chamou de gatinho, que coisinha linda!), um cara vestido de palhaço, dois na perna de pau, três anões, um Mickey, um Pato Donald e três velhinhas.
- Coé Play, tu tá achando que nós tá de sacanagem? - disse o Mickey.
- Só tamo trabalhando e tu fica tirando a gente? - o anão tinha um sotaque meio estranho.
- Aceite Jesus! - disseram as velhinhas.
- Olha só, vocês são chatos demais! Vão encher o saco de outro, tanta gente nessa merda desse calçadão e vêm todos em cima de mim! O tempo que vocês estão tirando satisfação comigo, poderiam estar interpelando um monte de gente! Não fode, porra! - esse não é o meu normal, não sou de dar papo. Hoje desabafei.
- Cumpadi, é hoje que tu roda!
Quando vi aquele monte de gente correndo para me pegar de porrada, decidi nunca mais desabafar. Os anões corriam muito, e os da perna-de-pau ficavam como em uma torre de vigilância, dando as coordenadas. As velhinhas ficavam entoando cânticos exorcistas e eu corria como um filho-da-puta. Estava difícil correr naquele calçadão cheio. Felizmente consegui me esconder num beco, atrás de umas latas de lixo, junto de uns mendigos.
- O pessoal faz de tudo para vender nessa época do ano. - disse um dos mendigos me passando um baseado
- Nem me fale. - respondi com um sorriso nervoso, de canto de boca, recusando o bagulho.
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